EDUCAÇÃO DE SURDOS: FORMAÇÃO DE PROFESSORES NOS CURSOS DE PEDAGOGIA E DE PEDAGÓGICA BILÍNGUE

Simone Peixoto Gonçalves

Rosely Lucas de Oliveira
Universidade Federal de São João Del Rei

Este presente trabalho tem como objetivo discutir de que forma são feitas a formação de pedagogos em dois cursos superiores, lavando em consideração a preparação acadêmica que eles recebem para a escolarização dos alunos surdos. Existe uma política formal do MEC que dá ênfase à educação inclusiva considerando que intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) bastam para os alunos surdos e que estes devem ser escolarizados em classes regulares. Pesquisadores (Quadros, 2000, 2006; Botelho, 2005) e o movimento social dos surdos defendem as escolas bilíngues usando o argumento de que para a aquisição plena da língua de sinais as crianças precisam de inputs linguísticos durante todo o momento e que precisam de escolas onde essa seja a língua de instrução. Como é a formação dos pedagogos que vão atuar na educação de surdos? Estão preparados para atuar em qual modelo escolar e sob qual perspectiva? Assim, nossa proposta é discutir qual a formação que os pedagogos recebem nas universidades e como isso afeta a educação de surdos – que por lei deve ser bilíngue. A partir de uma primeira análise de currículos dos cursos de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica de Minas e de Pedagogia Bilíngue do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), pretende-se olhar para: a forma com que o português é ensinado como segunda língua em ambos os modelos; de que forma os artefatos culturais surdos (Strobel,2008) são transmitidos e como se constituem a noção de diferença surda em ambos. O presente trabalho apresentará a classificação das disciplinas nas categorias acima e discutirá a repercussão disso na formação de professores, na escolarização de crianças surdas, e na adequação à perspectiva bilíngue, seja do MEC, seja dos pesquisadores ou do movimento surdo.

Palavras-chave: Currículo –  Pedagogia – Língua de sinais.