COMUNIDADE SURDA DA FRONTEIRA – PERTENCIMENTO

Mariana Pereira Castro Figueira
Universidade Federal do Pampa

Cristiano Pereira Vaz
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Trazemos para o Conali 2017, os resultados parciais de pesquisas desenvolvidas junto à Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA, Campus Santana do Livramento, com uma comunidade surda na fronteira entre o Brasil e o Uruguai; pesquisamos esta temática vinculados aos programas de Pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal de Santa Maria. Pensamos a escrita deste trabalho no Campo dos Estudos Culturais em Educação e Estudos Surdos; trazemos a experiência dos surdos na fronteira ao se produzirem entre duas línguas de sinais, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e a Lengua de Señas Uruguaya (LSU). Pela análise de materiais produzidos por esta comunidade surda no Projeto de Extensão “Produção de Artefatos da Cultura Surda na Fronteira” sob nossa coordenação nos anos de 2014, 2015 e 2016, pensamos que é possível dar configuração e constituição a esta comunidade surda em seu movimento singular, num fazer-se compartilhado, pois através da produções de artefatos culturais singulares esta comunidade surda vem se produzindo como uma Comunidade Surda da Fronteira. Pensamos, assim, em uma comunidade que compartilha modos de ser surdo e se produz através da experiência do encontro de surdos fronteiriços, localizados territorialmente na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, nas cidades-gêmeas de Santana do Livramento e Rivera. Trazemos como materialidade que nos possibilita fazer ver como os surdos se produzem neste encontro, alguns artefatos culturais produzidos por esta comunidade surda durante o desenvolvimento do projeto de extensão, junto à UNIPAMPA, e com a análise destes materiais, dizer sobre os modos como os surdos enunciam suas identidades culturais nesta fronteira. Dizemos que estes materiais produzem um discurso sobre uma comunidade que não consegue se dizer brasileira ou uruguaia, mas de uma comunidade produzida no compartilhar, num contexto de negociação de pertencimento cultural, produzindo modos de vida e vontades de “ser surdo” na fronteira que enuncia uma terceira coisa, uma nova constituição da ordem do acontecimento, produzida no compartilhar e longe do entendimento de consenso, uma vontade de ser surdo em uma Comunidade Surda da Fronteira, produzida neste interstício da fronteira como a diferença.

Palavra-chave: Comunidade Surda – Identidades – Fronteira.