COMPARTILHANDO HISTÓRIAS, EXPERIÊNCIAS E MEMÓRIAS DE SUJEITOS SURDOS

Alini Mariot
Universidade Federal do Rio Grande

A presente pesquisa se concentrou em fazer uma análise sobre o ensino da língua de sinais em Criciúma-Santa Catarina, percebendo as transformações na metodologia de ensino, a partir das memórias e vivências de surdos, ao longo do tempo. Através deste estudo foi possível observar que cada método possui sua relevância, pois os entrevistando se utilizam destes métodos até os dias de hoje. Os surdos precisam ter seus valores e cultura realmente conhecidos e vivenciados por outras pessoas de modo a promover sua inclusão, e exercício de sua cidadania junto aos ouvintes. Em Criciúma-Santa Catarina, onde foi desenvolvida esta pesquisa, se encontra uma maior parte de pessoas ouvintes, que desconhece os verdadeiros significados da comunidade surda, onde muitas vezes se encontram às margens das questões sociais, culturais, e educacionais, não sendo vistos pela sociedade por suas potencialidades, mas por suas limitações impostas por sua condição. Por se tratar de um campo vasto para a pesquisa, delimitamos os sujeitos que responderam a entrevista, sendo dois sujeitos surdos escolhidos para representação neste artigo, os mesmos já formados em nível superior. Utilizamos também da metodologia oral de pesquisa que é constituído na realização de entrevistas por meio de gravação com indivíduos que possam testemunhar sobre acontecimentos. As entrevistas com dois participantes foram realizadas em vídeos com a língua de sinais – Libras e depois traduzidos para a língua portuguesa. A escolha dos sujeitos se deu devido uma maior proximidade da autora com estes sujeitos e também devido ao grande exemplo que cada um destes deixou e ainda deixam na Comunidade Surda de Criciúma-Santa Catarina. Após realizar uma análise sobre questões concernentes aos modelos de ensino destinados aos surdos e tomar conhecimento das experiências  através de suas memórias a respeito de todas estas questões, concluímos que os entrevistados passaram por diversas fases e até os dias de hoje são assombrados pelo oralismo. Refleti neste trabalho no momento em que estava entrevistando os surdos que o surdo que for somente sinalizado precisará sempre de um intérprete para participar do mundo ouvinte. Nem todos os indivíduos surdos têm condições financeiras de pagar um intérprete, se fazendo necessário pensarmos em novas estratégias. Mostramos através das memórias dos entrevistados o quanto superaram barreiras para alcançarem seus objetivos e conquistaram seu lugar na sociedade.

Palavras-chave: Surdo – Memória – Ensino.