AVALIAÇÃO NO NÍVEL DE PROFICIÊNCIA DO PORTUGUÊS ESCRITO DE SURDOS USUÁRIO DA LIBRAS

Samir Rosa dos Santos
Universidade Federal de Pelotas

Matheus Trindade Velasques
Instituto Federal Catarinense

O presente trabalho apresenta uma proposta de projeto de pesquisa que tem como objetivo avaliar o nível de conhecimento linguístico de Língua Portuguesa na modalidade escrita de surdos usuários da LIBRAS tendo como base para a análise o Quadro Comum Europeu de Referência para Línguas (CEFR). A fim de ilustrar o funcionamento de nossa pesquisa, apresentamos um estudo piloto desenvolvido na Universidade Federal de Pelotas com 12 surdos estudantes de diferentes níveis escolares. A escolha do CEFR se deu em virtude de ser um parâmetro internacionalmente reconhecido e que facilmente ajusta-se à necessidade desta pesquisa em avaliar o nível de proficiência por meio da competência de uso da língua em situações comunicativas. Conforme o Decreto Federal Nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005, que regulamenta a Lei Nº 10.436/2002, é dever do Estado providenciar uma educação bilíngue às comunidades surdas do Brasil, sendo a LIBRAS como primeira língua (L1), e a Língua Portuguesa como segunda língua (L2), na modalidade escrita. Quadros (2003) entende que o surdo não necessita dominar as quatro habilidades a fim de ser considerado bilíngue (ler, escrever, falar, ouvir), mas, sim, que ao dominar a leitura e a escrita, juntamente com a LIBRAS, ele torna-se um sujeito bilíngue (GROSJEAN, 1994). Portanto, da mesma forma que um ouvinte falante de um idioma para ser considerado proficiente em outro idioma necessita compreender as estruturas gramaticais, dominar vocabulários de diferentes áreas do conhecimento, reconhecer expressões idiomáticas, expressar-se com segurança e exatidão, etc. O aluno surdo precisa demonstrar este mesmo domínio, guardadas as proporções de seu uso específico da língua. A análise piloto do presente estudo pode ser útil para desenhar futuras propostas de encaminhamentos para intervenção pedagógica pós-diagnóstico das dificuldades de uso da forma escrita desses alunos e, até mesmo, na delimitação de políticas linguísticas para o aluno surdo no âmbito do ensino superior e na aproximação do ensino de Português como L2 para surdos do padrão de ensino internacional de línguas. A pesquisa foi realizada com 12 surdos estudantes da rede pública de Pelotas e de um projeto de extensão oferecido pela Universidade Federal de Pelotas – UFPel. Primeiramente, foi feita a apresentação de um filme de animação e debate, conforme a visão e filosofia de educação bilíngue na qual toda produção escrita deve ser precedida por uma em LIBRAS, segundo Quadros (2003) e Fernandes (2008). Em um segundo momento, foram apresentadas frases com diferentes níveis de dificuldade em Português escrito sobre o tema assistido e foi solicitado aos alunos que contassem em Libras o que haviam entendido. Após a aplicação dos instrumentos de avaliação, constatou-se que mesmo entre os alunos de mesmas séries escolares existem grandes diferenças em relação ao domínio do Português escrito. Deve-se isso ao fato de alguns possuírem um bom resto auditivo, ou terem suporte dos pais em casa para aquisição da Língua Portuguesa.

Palavras-chave: Surdos – Português/Segunda Língua – Bilinguismo.